A Casa Branca afirmou essa semana que o presidente está “discutindo uma série de opções” para adquirir a Groenlândia
Para a Europa, o retorno de Donald Trump à Casa Branca tem sido uma fogueira de certezas. Assim, as ameaças de Trump em anexar a Groenlândia, uma parte autônoma da Dinamarca, mergulhou a Otan em uma situação sem precedentes. Ou seja, uma aliança baseada na defesa coletiva, onde um ataque a um é um ataque a todos, agora enfrenta a perspectiva de que um membro possa atacar outro.
A Casa Branca afirmou essa semana que o presidente está “discutindo uma série de opções” para adquirir a Groenlândia, deixando claro que o uso militar dos EUA não está descartado.
Proclamando o retorno a um mundo onde os fortes tomam o que podem e os fracos sofrem o que devem, Stephen Miller, vice-chefe de gabinete de Trump, disse: “Somos uma superpotência e vamos nos comportar como uma superpotência.”
Embora o secretário de Estado Marco Rubio tenha tentado minimizar as preocupações sobre uma intervenção militar. Entretanto, disse que a administração Trump está considerando comprar a Groenlândia, à primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, soou o alarme.
“Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.”
Outros líderes europeus, no entanto, têm se mantido em silêncio, ao menos publicamente, por uma razão incômoda. Os EUA podem não ser mais um aliado confiável da Europa, mas por enquanto continuam sendo necessários.
Com a Europa precisando do apoio militar e diplomático dos EUA para conter a Rússia, as renovadas ameaças de Trump contra a Groenlândia a colocaram em um dilema. Como manter o país liderado por Trump fora da Groenlândia, mas investidos na Ucrânia?
Inseguranças com relação à Ucrânia
Essa tensão ficou evidente em Paris esta semana, quando representantes de 35 países, incluindo os EUA, discutiram como garantir a segurança pós-guerra da Ucrânia em caso de um acordo de paz com a Rússia.
Embora a reunião tenha transcorrido tranquilamente e levado a compromissos concretos, a cordialidade foi abalada por questões desconfortáveis em uma coletiva de imprensa sobre o assunto.
“Sei que há relutância em falar sobre a Groenlândia hoje, mas que valor têm esses compromissos (de segurança dos EUA) no mesmo dia em que, nos mais altos níveis do governo em Washington, estão falando sobre tomar o território de um país integrante da Otan?” perguntou um repórter ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
Starmer desviou da pergunta, apontando para uma declaração anterior de solidariedade com a Dinamarca. O presidente francês Emmanuel Macron também evitou responder a uma pergunta similar.
Ao lado do enviado especial americano Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner. Além dos líderes do Reino Unido e da França não quiseram criticar os Estados Unidos por suas ameaças contra a Dinamarca. Por temerem comprometer o envolvimento de Washington no processo de paz na Ucrânia.
A Europa já cedeu bastante terreno para manter os EUA ao seu lado
Os líderes europeus foram repreendidos pelo vice-presidente americano JD Vance em Munique. E também hostilizados por Elon Musk nas redes sociais e acusados na Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump de “violar princípios básicos da democracia” para suprimir os partidos “patrióticos” defendidos por Washington.
A União Europeia também aceitou uma tarifa de 15% sobre seu comércio com os EUA.
Embora muitos peçam que a Europa adote uma postura mais firme contra os Estados Unidos, o continente não tem influência suficiente para fazê-lo, afirmou Mujtaba Rahman. Ele é diretor-gerente para a Europa do Eurasia Group, uma consultoria de risco político.
“Muitos líderes europeus querem falar duramente com a América… Eles querem poder se levantar e denunciar o que estão vendo, mas simplesmente não estão em posição de fazê-lo, porque por muito tempo terceirizaram sua segurança para a América”, disse Rahman.
Assim como no ano passado, a prioridade dos europeus para 2026 continua sendo manter os EUA engajados na Ucrânia, disse Rahman. Mesmo que isso leve a pressionar Copenhague “a chegar a um acordo” com os EUA sobre a Groenlândia.
“Fundamentalmente, acho que eles não têm escolha, porque o processo de rearmamento na Europa leva de três a cinco anos”, acrescentou.
Como o governo Trump não buscou aprovação do Congresso para nova assistência militar americana à Ucrânia, a Europa tem financiado a defesa ucraniana há mais de um ano.
No entanto, enquanto desenvolve sua própria base industrial de defesa, a Europa permanece fortemente dependente dos EUA para as armas que compra para a Ucrânia.
Fonte: cnn


