Clima ameaça colheitas de café arábica
Cientistas alertam que as colheitas de arábica, o grão de café mais comum do mundo, serão gravemente afetadas por um clima em rápida mudança, com a expectativa de que a produção de países como o Brasil, o maior produtor mundial, diminua.
Sob um sol escaldante, o agrônomo Oliveiro Guerreiro Filho percorre uma miscelânea de plantas de café no Instituto Agronômico de Campinas, onde, ao contrário das fileiras uniformes da maioria das fazendas de café brasileiras, cada cacho é diferente do outro.
Esse zoológico de espécies de café — algumas atarracadas, outras altas — inclui 15 espécies incomuns e não comerciais, como racemosa, liberica e stenophylla, cujos genes poderiam sustentar os suprimentos futuros de café arábica, esperam os pesquisadores.
As mudanças climáticas poderão tornar 20% das áreas que cultivam o arábica inadequadas ao café até 2050. Em seguida, afetariam regiões que hoje dependem dessa produção. Em outras palavras, segundo relatório do Rabobank, instituição financeira, o cenário futuro é preocupante. Além disso, a previsão levanta alerta para a sustentabilidade do setor.
Com a introdução de material genético de espécies de café mais rústicas, os cientistas pretendem criar novos híbridos. Em contrapartida, visam variedades de arábica mais resistentes. Em síntese, combinariam qualidade e tolerância a condições adversas. Assim, garantiriam continuidade da produção frente ao clima.
Robustez do liberica diante de condições mais quentes e secas
Por exemplo, a robustez do liberica diante de condições mais quentes e secas foi elogiada por fazendeiros. Em particular, em pequenos lotes plantados na Indonésia e na Malásia. Na sequência, observaram como a espécie se comporta diante da seca. Em conclusão, essas experiências mostram o potencial para uso em novas cultivares.
“A Liberica tolera muito bem o calor e as altas temperaturas, além de ser resistente a doenças”, disse à Reuters Jason Liew, fundador da My Liberica, uma plantação de café no Estado de Johor, na Malásia.
Embora agricultores valorizem essas qualidades entre as espécies menos comuns, os pesquisadores brasileiros se especializaram em trazer essas características para as plantas arábicas mais produtivas e populares.
Variedades de arábica tolerantes à seca
“Estamos trabalhando no instituto há muitos anos para transferir genes de tolerância à seca da espécie racemosa para a arábica”, disse Guerreiro Filho. “Estamos tentando criar variedades de arábica tolerantes à seca.”
Isso pode levar décadas de pesquisa. Os cientistas precisam produzir mudas cruzadas e expor essas variedades híbridas a condições adversas para avaliar e identificar as plantas mais robustas, disse ele, um processo que pode levar de 20 a 30 anos.
Os híbridos também são testados para aumentar a resistência a pragas e doenças, além de melhorar a qualidade.
O arábica cruzado com o liberica se mostrou mais resistente à ferrugem do café. Em outras palavras, uma infecção fúngica comum na lavoura. Além disso, Guerreiro Filho observou que essa combinação reduz a vulnerabilidade a essa doença. Já o arábica cruzado com o racemosa se sai melhor contra o bicho‑mineiro. Em seguida, ele reforçou que essa é a principal praga da cafeicultura.
Isso faz com que pesquisas desse tipo sejam fundamentais para o futuro do café. Desse modo, estudos realizados no instituto ajudam a combater perdas na produção. Em síntese, choques genéticos aumentam a resistência sem comprometer a qualidade. Em conclusão, Rodolfo Oliveira, chefe da unidade de café da Embrapa, valorizou essas iniciativas. Portanto, a parceria entre ciência e campo abre caminho para cafés mais resistentes e sustentáveis.
“Trabalhar com espécies alternativas de café… é vital porque o arábica tem uma base genética extremamente estreita, o que o torna altamente vulnerável a pragas, doenças e mudanças climáticas”, disse Oliveira, ressaltando o valor da introdução de material genético novo e “selvagem” de espécies menos comuns.
Fonte: CNN


