Alguns traços podem fazer parte da personalidade e até favorecer a convivência social
Falta de empatia, necessidade de admiração e dificuldade em reconhecer as emoções alheias estão entre os principais sinais para identificar o transtorno de personalidade narcisista (TPN), segundo a Associação Americana de Psiquiatria (APA). O distúrbio afeta cerca de 1% a 2% da população mundial e estudos indicam que os traços de narcisismo tendem a diminuir gradualmente com a idade.
A especialista em comunicação Vívian Rio Stella, doutora em Sociolinguística Interacional pela Unicamp e fundadora da VRS Academy, explica que os traços narcisistas costumam aparecer na linguagem e no comportamento.
Diferença entre traço e transtorno
Segundo psicólogos, há níveis diferentes de narcisismo. Alguns traços podem fazer parte da personalidade e até favorecer a convivência social. No entanto, quando o comportamento se torna rígido, manipulador e centrado em uma busca constante por validação, pode se caracterizar como transtorno.
“Existem os narcisistas patológicos, aqueles que têm transtornos de personalidade. Na maior parte são homens, apesar de também existirem muitas mulheres”, explica a psicóloga Daniele Furtado.
Um estudo da organização The Conversation indica que até 75% das pessoas diagnosticadas com TPN são homens. A pesquisa também comprova que, entre as mulheres, o narcisismo tende a se expressar de forma mais vulnerável, o que pode dificultar o diagnóstico e levar a confusões com outros transtornos, como o borderline.
Narcisismo na velhice
Segundo especialistas, pessoas mais velhas com traços de narcisismo tendem a usar questões emocionais ou físicas para manter o controle nas relações. É comum que se coloquem no papel de vítimas e transfiram a responsabilidade pelo próprio bem-estar a familiares ou pessoas próximas. “É um apelo ao ‘depois de tudo que fiz’, ‘na minha idade eu merecia mais consideração’ ou ‘ninguém faz como eu faço’”, diz Stella.
Esses comportamentos podem incluir manipulação emocional, cobranças constantes e resistência a mudanças. Expressões como “sou assim, não vou mudar” são frequentes e usadas para justificar atitudes agressivas ou controladoras.
Como lidar com pessoas narcisistas
- Evite o confronto direto, especialmente com pessoas mais velhas;
- Estabeleça limites emocionais claros;
- Busque manter distância ou o afastamento emocional;
- O acompanhamento psicológico é recomendado para quem convive com indivíduos narcisistas, enquanto a convivência prolongada pode gerar impactos na autoestima e na saúde mental.
Segundo a psicóloga, o narcisismo envolve um sentimento de grandiosidade e uma dificuldade profunda de empatia. “O narcisista se vê como alguém acima dos outros, seja nas atitudes ou nas palavras. Ele não reconhece os sentimentos alheios, porque acredita que o mundo gira em torno do que ele quer e precisa”, afirma.
De acordo com Daniele, a arrogância e a sensibilidade extrema a críticas também são traços comuns. “Aceitar estar errado é impossível para o narcisista. Quando não consegue ter razão, ele se coloca no papel de vítima, distorce os fatos e cria a própria versão da realidade”, diz.
O diagnóstico, entretanto, deve ser feito por profissionais de saúde mental, que podem identificar o grau do comportamento e orientar o tratamento adequado. Para Daniele, a terapia é essencial tanto para quem apresenta o transtorno quanto para quem convive com pessoas narcisistas.
Fonte: viva



