Pais e educadores podem ajudar os pequenos a desenvolver essas capacidades de forma natural e adequada a cada fase da vida
Brincar, descobrir, errar e tentar novamente são experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil. Durante a infância, além de adquirir conhecimentos, as crianças desenvolvem habilidades que influenciam a maneira como aprendem, lidam com desafios e se relacionam com outras pessoas.
Entre as competências que podem ser estimuladas desde cedo estão a concentração, a autonomia, a persistência e a comunicação. Com atividades lúdicas e situações do cotidiano, pais e educadores podem ajudar os pequenos a desenvolver essas capacidades de forma natural e adequada a cada fase da vida.
“Quando falamos em desenvolvimento infantil, não estamos falando apenas de conteúdos que a criança precisa aprender. Assim também, estamos falando de habilidades que ajudam esse aprendizado a acontecer”, afirma Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera. Conforme ela, experiências que envolvem atenção, resolução de problemas, superação de dificuldades e interação contribuem para fortalecer essas competências ao longo da infância.
1. Concentração: desenvolver a atenção em meio às distrações
Com tantos estímulos disponíveis no dia a dia, manter o foco, então, pode ser um desafio para as crianças. Atividades que exigem observação, cumprimento de regras e acompanhamento de etapas, portanto, ajudam a exercitar a capacidade de direcionar e sustentar a atenção.
Essa habilidade é importante não apenas para o desempenho escolar, mas também para o envolvimento em brincadeiras. Bem como, a realização de tarefas e a conclusão de atividades que exigem mais tempo e dedicação.
“Concentração não significa ficar parado ou simplesmente prestar atenção quando um adulto pede. É aprender a direcionar a atenção para aquilo que está sendo feito e permanecer envolvido na atividade. Jogos e desafios podem ser uma forma natural e prazerosa de exercitar isso”, explica Lessa.
Como estimular a concentração:
- Incentivar jogos de memória, quebra-cabeças e jogos de tabuleiro.
- Dividir tarefas mais longas em etapas menores, intercaladas com pausas.
- Criar um ambiente com menos distrações durante os momentos de estudo e as atividades dirigidas.
2. Autonomia: incentivar a criança a encontrar soluções
Aprender a fazer escolhas e buscar soluções para pequenos problemas é parte importante do crescimento. Ao permitir que a criança experimente diferentes caminhos, os adultos favorecem o desenvolvimento do raciocínio, da iniciativa e da confiança nas próprias capacidades.
O estímulo à autonomia, no entanto, não significa deixar os pequenos resolverem tudo sozinhos. A presença dos adultos continua sendo essencial para orientar, acolher e oferecer segurança, sem antecipar todas as respostas.
“Dar autonomia não é retirar o apoio do adulto. É permitir que a criança experimente, pense, erre, tente novamente e perceba que é capaz de encontrar soluções. O adulto continua sendo uma referência, mas deixa de entregar imediatamente todas as respostas”, afirma a diretora pedagógica.
Como estimular a autonomia:
- Oferecer escolhas adequadas à idade, como decidir qual brinquedo guardar primeiro ou qual livro ler.
- Fazer perguntas que incentivem a reflexão, como “O que você tentaria agora?”, em vez de apresentar a solução imediatamente.
- Envolver a criança em pequenas responsabilidades, como organizar os materiais escolares e conferir a mochila.
3. Persistência: aprender com os erros e superar dificuldades
Nem sempre uma tarefa é concluída na primeira tentativa. Ao enfrentar desafios, a criança tem a oportunidade de aprender a lidar com a frustração, rever estratégias e compreender que os erros fazem parte do processo de aprendizagem.
Desenvolver a persistência ajuda a construir uma relação mais positiva com as dificuldades. Em vez de desistir diante de um obstáculo, a criança pode aprender a identificar o que não funcionou e experimentar novas possibilidades.
“Uma criança que aprende a lidar com o erro desenvolve uma relação diferente com o aprendizado. Em vez de interpretar a dificuldade como um sinal de que não consegue, ela pode compreender que faz parte do processo tentar, ajustar a estratégia e continuar”, explica Lessa.
Como estimular a persistência:
- Valorizar o esforço, adedicação
e as estratégias utilizadas, e não apenas o resultado final.
- Mostrar, na prática, como analisar um problema e buscar alternativas para resolvê-lo.
- Reconhecer pequenas conquistas e conversar sobre os avanços alcançados após novas tentativas.
4. Comunicação: aprender a se expressar e ouvir o outro
A comunicação é uma habilidade que vai além da capacidade de falar. Ela envolve expressar sentimentos e ideias, ouvir diferentes opiniões, negociar e colaborar. Essas competências, entretanto, contribuem tanto para a construção de vínculos quanto para a convivência em ambientes como a escola e a família.
Ao participar de brincadeiras coletivas e conversar sobre situações do cotidiano, a criança aprende a compartilhar pensamentos, respeitar opiniões e encontrar soluções em conjunto.
“Comunicação é também uma habilidade de convivência. A criança precisa aprender a expressar o que pensa, mas também a ouvir, considerar diferentes pontos de vista e construir com o outro. Essas experiências contribuem para relações ainda mais colaborativas e para a própria aprendizagem”, diz Patrícia Lessa.
Como estimular a comunicação:
- Propor brincadeiras em grupo que envolvam cooperação, respeito aos turnos e participação de todos.
- Incentivar a criança a identificar e expressar sentimentos e ideias com palavras.
- Ler histórias em conjunto e conversar sobre as atitudes dos personagens, suas emoções e diferentes pontos de vista.
Brincar também é uma forma de aprender
No Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, as brincadeiras ganham destaque como oportunidades de diversão, descoberta e desenvolvimento. Ao longo de todo o ano, jogos, desafios e experiências que despertam a curiosidade também podem ajudar a fortalecer habilidades importantes para a aprendizagem e a convivência.
“Na infância, aprender precisa continuar sendo uma experiência de descoberta. Quando a criança é convidada a pensar, experimentar, criar e resolver problemas, ela não está apenas chegando a uma resposta: está exercitando diferentes maneiras de aprender”, conclui Patrícia Lessa.
Fonte: cnn


