Epidemia de Ebola passa dos 8 mil casos no Congo
A epidemia de Ebola que afeta a República Democrática do Congo chegou à marca de 8.067 casos confirmados, segundo dados divulgados pelo governo (28). As mortes chegam a 3.901 casos.
O surto, causado pela cepa Bundibugyo, é o maior da história do Congo e o segundo mais letal já registrado no mundo, ficando atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental, principalmente países como Guiné, Libéria e Serra Leoa, entre 2014 e 2016. Na ocasião, 28,6 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou (25) que o vírus havia se espalhado para mais duas zonas de saúde dentro do Congo: Bulu, na província de Sud Ubangi, e Dungu, na província de Haut-Uele, que faz fronteira com o Sudão do Sul.
A região leste do país é palco de um conflito armado entre o grupo rebelde M23 e o exército congolês. De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esse cenário dificulta o acesso dos profissionais de saúde. Além disso, essa situação também atrapalha o trabalho nas comunidades afetadas. Por fim, a crise compromete o rastreamento adequado de pessoas possivelmente expostas ao vírus.
“É muito difícil analisar o Ebola isoladamente, pois até mesmo nossa resposta à doença é afetada pelo conflito, devido aos deslocamentos e aos problemas de acesso a algumas áreas”, disse Tedros.
De acordo com ele, a falta de vacinas e tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo também dificulta a resposta das autoridades. Além disso, essa carência de recursos pode tornar as pessoas relutantes. Esse comportamento afeta diretamente a busca por atendimento médico. O diretor-geral acrescentou que a OMS trabalha para acelerar os ensaios clínicos de vacinas e tratamentos.
Risco de pandemia descartado
O diretor-geral descartou a evolução do surto de Ebola para uma pandemia, embora a situação já seja uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, mas ressaltou a necessidade de os países se prepararem para esse tipo de cenário.
“O Ebola não será uma pandemia, mas pode surgir um patógeno respiratório capaz de se tornar uma pandemia”, explicou. “Antes que isso aconteça, precisamos nos preparar.”
Em maio de 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou o Acordo sobre Pandemias, com o objetivo de fortalecer a prevenção e a resposta global a futuras pandemias.
Fonte: SBT



