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Filme de MT marca presença no Festival Visões Periféricas. Evento ocorre no Rio de Janeiro, com 69 títulos selecionados Imagem: Divulgação

Cinema de MT ganha destaque na programação de 20 anos do Festival Visões Periféricas

Filme de MT marca presença no Festival Visões Periféricas

O filme de MT “Mansos”, de Juliana Segóvia, marcará presença na 19ª edição do Festival Visões Periféricas, que começou nesta quinta (23). A apresentação presencial do festival, que é pioneiro na difusão do cinema feito fora dos grandes centros, acontecerá no Rio de Janeiro, com 69 filmes selecionados entre 856 inscritos, 70% mais do que em 2025.

Única produção selecionada do estado de Mato Grosso, “Mansos” é um curta-metragem de ficção rodado em Cuiabá, Várzea Grande e na região do distrito de Água Fria, na Chapada dos Guimarães. Com direção de Juliana Segóvia e duração de 20 minutos, o filme aborda a luta, a ancestralidade e a resistência de mulheres negras. A trama acompanha Tereza, uma agricultora familiar e líder comunitária assassinada na frente de suas filhas, e sua filha Benedita, que assume a luta materna em busca de justiça.

O curta, que integra a Mostra Itaú Cultural Play, com exibição gratuita na plataforma de streaming de 23 de julho a 6 de agosto, é uma produção do Aquilombamento Audiovisual Quariterê, coletivo de Mato Grosso criado em 2017 e focado no protagonismo de realizadores negros e indígenas, com a missão de promover a inclusão desses profissionais em toda a cadeia do audiovisual e construir narrativas que contrárias a representações estereotipadas.

Programação se divide por mostras competitivas e não competitivas

A programação do festival se divide por mostras competitivas e não competitivas. Além disso, ela traz filmes de dezoito estados, incluindo cidades que nunca haviam participado. As curadoras e curadores apontam, portanto, a predominância de temas como memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, questões ambientais e precarização do trabalho.

Os filmes selecionados dividem-se, ademais, em sete mostras. Desse modo, quatro delas são competitivas, com premiação do júri oficial e do público. Entre as mostras competitivas estão, por conseguinte, Fronteiras Imaginárias e Cinema da Gema. Além disso, destacam-se a Panorâmica e a Visorama, cada uma com critérios específicos de duração. As mostras não competitivas englobam, por fim, ICPLAY, Informativa e Visões do Amanhã. Ademais, o público terá acesso online a exibições especiais.

Festival começou em 2007

Ao fazer 20 anos, o Visões Periféricas, que começou em 2007, coleciona histórias de um cinema que se expandiu muito além da denúncia. “Se antes predominavam filmes urgentes sobre violência, racismo e território, atualmente vemos obras mais elaboradas esteticamente, com crescimento da ficção e mais subjetividade”, diz Wilq Vicente, curador e autor de livros sobre cinema de periferia. Ele nota que as questões raciais e sociais seguem presentes, mas agora aparecem entrelaçadas a histórias de afeto, trabalho e relações familiares.

O coordenador geral Márcio Blanco lembra que o festival nasceu quando quase ninguém olhava para essa produção. “Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas e revelando a diversidade de olhares sobre o país”, afirma. Blanco também destaca um movimento curioso: o público jovem, acostumado ao consumo fragmentado das redes, está redescobrindo o cinema como espaço de encontro e narrativa compartilhada.

A edição de 2026 homenageia o projeto Vídeo nas Aldeias e exibe na abertura o filme “Arquivo Vivo”, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. Outro destaque da programação é o Visões Lab, laboratório gratuito de desenvolvimento de projetos audiovisuais, que ocorre paralelamente às mostras.

O festival é gratuito e vai até 26 de julho, com sessões presenciais no Rio de Janeiro (ingressos retirados na portaria) e mostras online.

O Festival Visões Periféricas é um projeto da Supimpa Produções Artísticas e Culturais, com patrocínio do Banco Itaú e apoio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. A programação completa, incluindo sessões com legendas descritivas e Libras, pode ser conferida no site do evento.

Serviço

  • Festival Visões Periféricas 2026
  • De 23 a 26 de julho (presencial e online)
  • Abertura: 23 de julho, com “Arquivo Vivo”
  • Programação completa e classificações indicativas pelo site www.visoesperifericas.com.br
  • Entrada gratuita

Fonte: Entretê