A gigante asiática chega para atender o mercado corporativo através de conectividade global e soluções de inteligência artificial
A Singtel, principal operadora de Singapura, inicia oficialmente sua operação no Brasil no terceiro trimestre de 2026 com a abertura de um escritório em São Paulo. A gigante asiática chega para atender o mercado corporativo através de conectividade global e soluções de inteligência artificial.
Aliás, utilizará o território brasileiro como base estratégica para sua expansão regional na América Latina. Portanto, conectando empresas locais ao dinâmico hub digital da Ásia-Pacífico de forma integrada e ágil.
A força global da operadora no país
A magnitude da Singtel no cenário internacional coloca o mercado nacional em um novo patamar de competitividade. Com receita anual de aproximadamente 10,45 bilhões de dólares e um EBITDA de 3 bilhões de dólares, a companhia gerencia uma base superior a 820 milhões de assinantes móveis. Atuando em 22 países, o grupo mantém participações em teles renomadas como a Airtel e a Optus. Sendo assim, se consolida como um dos maiores players mundiais em tecnologia e infraestrutura de comunicação digital.
Singtel em Números (Dados Globais)
| Indicador | Detalhes |
| Receita Operacional | S$ 14,1 bilhões (US$ 10,45 bi) |
| EBITDA Anual | S$ 3,8 bilhões (US$ 3 bi) |
| Base de Assinantes | +820 milhões de clientes móveis |
| Presença Global | 22 países e 400 pontos de presença |
| Sede no Brasil | São Paulo (Operação no 3º Tri) |
Foco estratégico e a parceria com a Nestlé
Diferente das teles tradicionais de varejo, a operadora chega para integrar soluções complexas para grandes corporações. De acordo com Keith Leong, executivo do grupo, a decisão está ligada à maturidade digital nacional: “O Brasil está entrando em um boom digital que se alinha perfeitamente à nossa visão de conectar a América Latina com a Ásia”. Segundo ele, a operação não é pontual, mas sim um “investimento estruturado no nosso crescimento regional”, focando em agilidade.
Um exemplo prático dessa atuação é o atendimento à Nestlé Brasil, que já utiliza os serviços da Singtel através de um contrato global. Leong ressaltou que a multinacional demonstra a eficiência do grupo em modernizar redes corporativas: “Ganhar a Nestlé é um bom exemplo de como ajudamos uma organização a transformar sua rede em uma rede preparada para IA”. O objetivo, portanto, é oferecer suporte local para empresas que dependem de infraestruturas críticas, seguras e de alto desempenho técnico.
Inovação e portfólio tecnológico
A oferta tecnológica no país será robusta, baseada em um modelo de Network-as-a-Service (NaaS). Para facilitar o entendimento da infraestrutura digital que será disponibilizada, a operadora destaca três pilares fundamentais em seu portfólio inicial para o mercado brasileiro:
- CUBΣ: Plataforma de rede como serviço para gestão centralizada de redes multinacionais, multivendor e multicloud.
- AI Studio: Sistema avançado para treinamento, teste e implantação de soluções de inteligência artificial em ambientes seguros e de baixo código.
- Paragon: Serviço de orquestração de redes, nuvem e infraestrutura de borda, criado para facilitar a adoção de soluções em 5G empresarial.
Modelo de negócios e parcerias locais
A estratégia da operadora no Brasil não envolve a construção de torres ou cabos próprios, mas sim a colaboração com o ecossistema local. A IG Networks foi citada como a primeira parceira estratégica para viabilizar as soluções no mercado nacional. “Não faremos isso sozinhos. Vamos trabalhar com parceiros locais, incluindo operadoras, para levar nossas soluções ao mercado”, afirmou Leong. O foco está na conectividade de última milha, garantindo que a inteligência da Singtel chegue aos clientes.
Sobre expandir para operadoras virtuais (MVNO) ou redes privadas industriais, a Singtel mantém cautela no curto prazo. A prioridade atual é o estabelecimento do escritório paulista e o suporte aos clientes globais já existentes no país. Contudo, o executivo não descarta futuras avaliações após conhecer melhor o cenário: “Acredito que primeiro você precisa entender o mercado. É um investimento de longo prazo. O mais importante agora é nos estabelecer e atender os nossos clientes globais”.
O Brasil como ponte digital para a Ásia
O país servirá como o centro nervoso das operações da Singtel em toda a América do Sul. Ng Tian Chong, CEO da Singtel Singapore, afirmou que a operação paulista permitirá oferecer suporte ágil a clientes globais. “A Singtel exerce um papel único como ponte digital entre Brasil, América Latina e Ásia”, comentou o CEO. A ideia é consolidar a operação brasileira antes de prospectar novos territórios, garantindo que a equipe, composta por diretores brasileiros, entregue a excelência esperada.
A dimensão geopolítica favorece a chegada, visto que o comércio entre o Brasil e o bloco ASEAN já supera os US$ 37 bilhões anuais. Companhias como a Embraer já utilizam Singapura como hub, o que abre precedentes para que a Singtel apoie o movimento inverso de internacionalização tecnológica. Ao orquestrar redes que combinam fibra óptica, 5G e nuvem, a empresa espera reduzir custos operacionais, liberando as equipes de TI corporativas para focarem exclusivamente no crescimento de seus negócios.
Fonte: minhaoperadora




