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A IA está mudando a forma de fazer lição de casa. Até pouco tempo, fazer um trabalho escolar significava pesquisar em livros ou no Google Foto: Magnific

A IA está mudando a forma de fazer lição de casa; como lidar com a mudança?

A IA está mudando a forma de fazer lição de casa

A IA está mudando a forma de fazer lição de casa. Até pouco tempo atrás, fazer um trabalho escolar significava pesquisar em livros ou no Google, selecionar informações e começar a escrever. Agora, basta abrir uma Inteligência Artificial, fazer uma pergunta e, em segundos, receber uma explicação, um resumo, uma redação ou até a resolução de um problema. Ou pior (ou melhor): basta fotografar a página de perguntas para que a IA responda tudo. A questão deixou de ser apenas se ela deve ou não ser usada, mas como utilizá-la sem transformar uma ferramenta em uma máquina de fazer dever de casa.

A diferença em relação aos buscadores tradicionais é importante. O Google apresenta páginas para que o aluno procure a informação. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot podem entregar diretamente uma resposta, explicar um assunto, resumir conteúdos ou criar exercícios e isso pode ajudar bastante no aprendizado. O aluno pode pedir que um tema difícil seja explicado de outra maneira e depois solicitar perguntas para testar se realmente entendeu.

Aprender ou apenas entregar?

O problema surge quando a IA começa a pensar no lugar do estudante. Pedir “faça meu trabalho sobre a Revolução Francesa” é muito diferente de pedir “explique por que começou a Revolução Francesa e depois faça cinco perguntas para verificar se eu aprendi”. No primeiro caso, a máquina substitui o aluno. No segundo, ajuda no processo de aprendizagem. Também é preciso lembrar que a IA pode errar. Respostas incorretas podem aparecer escritas de forma tão convincente que parecem verdadeiras.

Professores e pais também têm um novo papel

A transformação não acontece apenas entre os alunos. Segundo a TIC Educação de 2025, cerca de 43% dos professores já utilizavam Inteligência Artificial generativa para preparar conteúdos didáticos. De fato, a tecnologia pode ajudar a criar exercícios, adaptar textos ou preparar exemplos. Mas aumenta também a importância do professor para avaliar se aquela informação está correta e de ensinar os estudantes a questioná-la.

Em casa, simplesmente proibir a IA será cada vez mais difícil. Para os pais, a pergunta mais importante que “você fez a lição?” agora é “como você chegou a essa resposta?”

A calculadora deste século?

Calculadoras, computadores, Wikipédia e Google também provocaram discussões quando chegaram às escolas. A Inteligência Artificial vai além: ela pesquisa, conversa, explica e escreve. Por isso, o maior desafio talvez não seja impedir que os alunos usem IA para fazer a lição de casa, mas ensiná-los a usar uma boa ferramenta sem terceirizar aquilo que a escola precisa desenvolver: curiosidade, raciocínio, criatividade e capacidade de pensar por conta própria.

Fonte: Extra