Papa Leão XIV pede renovação do acordo New START
O papa Leão XIV pediu nesta quarta-feira (4) aos líderes da Rússia e dos Estados Unidos que renovem o último tratado de controle de armas nucleares, conhecido como New START, que limita o número de armas nucleares estratégicas implantadas por cada país.
O pontífice americano disse durante sua audiência semanal no Vaticano que a situação mundial atual “exige que façamos tudo o que for possível para evitar uma nova corrida armamentista”.
O tratado, assinado em 2010, expira na quinta-feira (5). O presidente russo, Vladimir Putin, propôs em setembro que o tratado fosse prorrogado informalmente por mais um ano. Mas até quarta-feira (4), o presidente dos EUA, Donald Trump, não havia se manifestado.
“Faço um apelo urgente para que esse instrumento não caia em desuso”, disse o papa. “É mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética compartilhada, capaz de orientar as escolhas para o bem comum”, acrescentou.
O fim do New START marcaria o término de mais de meio século de restrições às armas nucleares.
Fim de acordo nuclear torna o mundo mais imprevisível, diz especialista
O término do último grande tratado de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, conhecido como New START, torna o mundo significativamente mais imprevisível e perigoso. A avaliação é de Augusto Teixeira, professor de Relações Internacionais da UFPB, durante o WW.
“O fim do tratado coloca mais lenha na fogueira da incerteza, pois torna o mundo ainda mais imprevisível e perigoso”, afirmou o especialista.
Segundo Teixeira, o principal problema não é apenas o fim do regime de controle de armas. Em primeiro lugar, há a acelerada destruição da ordem internacional. Além disso, ela estabelecia parâmetros básicos para as relações entre países.
“Em um contexto em que esferas de influência se impõem e o uso da força reduz o custo para que atores imponham suas vontades pela violência, a questão da expansão das armas nucleares, em particular sobre o emprego coercitivo, como faz a Rússia na Ucrânia, pode vir cada vez mais a ser algo normalizado”, alertou.
Teixeira destacou que o cenário atual amplia consideravelmente o risco de erros de cálculo entre potências nucleares.
“Quando falamos de armas nucleares, elas não admitem nem amadorismo, personalismo e muito menos erros de cálculo. A margem de erro é muito pequena”, enfatizou.
Embora exista preocupação com a situação, Teixeira diz que o término do acordo não é necessariamente algo avassalador. “Há medo, mas também há o elemento da racionalidade mínima dos Estados na busca pela própria sobrevivência”, concluiu o especialista.
Fonte: cnn




