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Rússia emite mandado de prisão contra fundador do Telegram, sob a acusação de facilitar atividades terroristas Foto: fundador do Telegram, Pavel Durov/Wikimedia Commons

Rússia emite mandado de prisão contra fundador do Telegram

Rússia emite mandado de prisão contra fundador do Telegram

A Rússia anunciou nesta quarta-feira (29) que emitiu um mandado de prisão internacional contra o fundador do Telegram, Pavel Durov, sob a acusação de facilitar atividades terroristas. Segundo o Serviço Federal de Segurança (FSB, sigla em russo), a plataforma de mensagens teria sido utilizada por serviços de inteligência da Ucrânia para recrutar jovens russos envolvidos em ataques e ações de sabotagem dentro do país.

O órgão afirmou que as acusações se referem à falha do Telegram em remover material “usado pelos serviços especiais ucranianos e por organizações terroristas e extremistas para preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, assassinatos em massa e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa”.

De acordo com o FSB e o Comitê de Investigação da Rússia, agentes ucranianos que se passavam por mulheres teriam usado o chatbot de relacionamentos Daivinchik/Leo, disponível no Telegram, para atrair jovens russos e convencê-los a cometer crimes. As autoridades afirmam que prenderam 46 pessoas, com idades entre 12 e 22 anos, no último ano por supostamente participarem de ataques contra agentes da lei ou incêndios em infraestruturas de transporte, energia, comunicações e instituições financeiras.

As autoridades russas informaram que Durov será incluído em uma lista internacional de procurados, mas não detalharam qual mecanismo jurídico será utilizado. A Interpol ainda não comentou o caso.

Nascido na Rússia, Pavel Durov mora em Dubai e possui cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França.

O que diz Durov

O Telegram reagiu às acusações nesta quarta. Em uma publicação na rede social X, a conta oficial da plataforma compartilhou uma imagem de Durov. Na foto, ele fazia um gesto obsceno com o dedo do meio. Ademais, essa foi a resposta às medidas anunciadas pelas autoridades russas.

Por conseguinte, em 2024, autoridades prenderam Durov na França. Para isso, as acusações indicavam que o Telegram não teria combatido adequadamente atividades criminosas. Por fim, o aplicativo também não teria colaborado de forma suficiente com elas. Posteriormente, a Justiça o autorizou a deixar o país enquanto as investigações seguem em andamento.

O fundador do Telegram nega qualquer irregularidade. Segundo ele, a plataforma cumpre suas obrigações de moderar conteúdos e cooperar com autoridades no combate ao crime. Em abril deste ano, Durov afirmou que recebeu uma intimação relacionada a uma investigação por terrorismo na Rússia. Ademais, ele ironizou o caso ao declarar que era “culpado” por defender a liberdade de expressão. Por conseguinte, defendeu também o direito à privacidade garantidos pela Constituição russa.

Por outro lado, a Rússia restringiu efetivamente o Telegram. Para isso, a ação ocorreu como parte de uma campanha mais ampla. Logo, o objetivo era bloquear o acesso a plataformas tecnológicas estrangeiras. Por fim, visava reforçar o controle sobre a internet.

Atualmente, os russos só podem acessar o mensageiro usando uma VPN para criptografar o tráfego e ocultar sua localização. No entanto, órgãos estatais, incluindo o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam a publicar nele diariamente.

Fonte: SBT