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Com poucas perspectivas de uma solução rápida do tarifaço, setores do agro já começam a reorganizar sua estratégia em Washington - Foto: Arquivo/EBC

Tarifaço leva agro a reforçar estratégia em Washington

Estados Unidos vêm utilizando esse instrumento para criar bases legais que permitam impor tarifas e negociar concessões com parceiros comerciais

O anúncio das novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros inaugura uma nova etapa na relação comercial entre os dois países. Com poucas perspectivas de uma solução rápida por meio da negociação diplomática do tarifaço, setores do agro já começam a reorganizar sua estratégia, reforçando a presença em Washington, preparando pedidos de exceção para alguns produtos e estruturando uma futura contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com o ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ Consultores, Welber Barral,  o tarifaço representa apenas uma parte de uma disputa mais ampla. A investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301 amplia o poder de pressão do governo americano e deverá influenciar as negociações nos próximos meses.

Segundo Barral, os Estados Unidos vêm utilizando esse instrumento para criar bases legais que permitam impor tarifas e negociar concessões com parceiros comerciais. No caso brasileiro, porém, as propostas americanas extrapolam o comércio agrícola. Desse modo, atingem temas considerados estratégicos pelo governo brasileiro, como minerais críticos, plataformas digitais e o sistema de pagamentos Pix.

“Muitas das propostas são bastante unilaterais e algumas sequer dependem apenas do Executivo brasileiro, porque envolvem matérias que ainda tramitam no Congresso Nacional”, afirma.