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O TikTok solicitou autorização ao Banco Central para atuar como instituição financeira. Iniciativa pode transformar a rede em um 'superapp' Foto: Divulgação

O Banco do TikTok vem aí? Entenda como a rede social quer substituir seu aplicativo de banco

TikTok solicitou autorização para atuar como instituição financeira

O TikTok solicitou ao Banco Central autorização para atuar como instituição financeira no país, um movimento que pode transformar a rede social em um verdadeiro ‘superapp’ que reúne entretenimento, compras e serviços bancários no mesmo lugar.

A proposta, apresentada pela ByteDance, controladora da plataforma, prevê a oferta de contas digitais, pagamentos e até crédito diretamente dentro do aplicativo.

Como funcionaria o ‘banco do TikTok’

O pedido envolve duas licenças principais:

  • Emissor de moeda eletrônica, que permitiria criar contas digitais pré-pagas para armazenar dinheiro, fazer transferências e pagamentos
  • Sociedade de Crédito Direto (SCD), modelo que autoriza a concessão de empréstimos com capital próprio ou a intermediação de crédito
  • Na prática, se aprovado, o TikTok poderá oferecer serviços semelhantes aos de bancos digitais, sem que o usuário precise sair do aplicativo.

Hoje, a plataforma já possui funções financeiras limitadas, como compra de moedas virtuais e pagamentos internos. A novidade ampliaria esse sistema para o uso de dinheiro real.

Estratégia vai além do entretenimento

A iniciativa faz parte de um movimento global das big techs para integrar serviços financeiros às plataformas digitais. O objetivo é simples: manter o usuário dentro do aplicativo durante toda a jornada, da descoberta de um produto até o pagamento.

O modelo já foi adotado em outros países. Na China, por exemplo, a empresa lançou o sistema Douyin Pay, enquanto em mercados do Sudeste Asiático tentou expandir operações semelhantes.

No Brasil, a estratégia ganha ainda mais força por causa do tamanho do mercado. A plataforma conta com mais de 130 milhões de usuários adultos no país, o que representa uma base enorme para novos serviços.

Impacto pode ser direto no bolso do consumidor

Especialistas avaliam que a entrada do TikTok no sistema financeiro pode aumentar a concorrência com bancos tradicionais. Além disso, ela também pode pressionar as fintechs, como Nubank e outras instituições digitais.

A principal vantagem da rede social seria a distribuição ampla e constante. Dessa forma, diferentemente dos bancos, o TikTok já faz parte do dia a dia de milhões de brasileiros.

Portanto, isso facilita a adesão a novos serviços financeiros por meio da plataforma. Além disso, a familiaridade com o app reduz barreiras de uso e de aprendizado.

A integração com o TikTok Shop pode permitir compras, pagamentos e até crédito no mesmo ambiente. Dessa maneira, o consumo se torna mais rápido, fluido e quase “invisível” para o usuário.

Aprovação ainda é incerta

Apesar do avanço, o projeto ainda depende da aprovação do Banco Central. Além disso, o BC analisa critérios rigorosos, como segurança e proteção de dados.

Dessa forma, também são avaliadas a prevenção à lavagem de dinheiro e o impacto concorrencial. Portanto, a autorização não está assegurada, mesmo com o estágio já alcançado.

Executivos da ByteDance já se reuniram com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Desse modo, a reunião indica que as conversas sobre o projeto estão em andamento.

O que pode mudar na prática

Se autorizado, o TikTok poderá:

  • oferecer conta digital dentro do app
  • permitir transferências e pagamentos
  • integrar serviços ao Pix
  • conceder crédito diretamente aos usuários
  • impulsionar compras dentro da plataforma

A mudança pode marcar um novo momento no mercado financeiro brasileiro. Além disso, pode alterar a forma como bancos e fintechs concorrem com novos atores.

Dessa forma, redes sociais deixam de ser apenas canais de conteúdo. Portanto, passam a funcionar também como plataformas de serviços financeiros completos.

Assim, os usuários têm acesso a múltiplos recursos em um único ambiente. Por consequência, o consumo e a gestão de recursos tendem a se integrar cada vez mais às rotinas digitais.

Fonte: diáriodolitoral