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Venezuela inicia, nesta quinta-feira (12), o debate final para a aprovação de uma lei de anistia geral sobre os 27 anos do chavismo Foto: Ag. Brasil

Venezuela antecipa aprovação de histórica lei de anistia

Venezuela inicia debate para lei de anistia

O Parlamento da Venezuela inicia, nesta quinta-feira (12), o debate final para a aprovação de uma lei de anistia geral sobre os 27 anos do chavismo e que pode libertar presos políticos em massa.

A anistia é um projeto impulsionado pela presidente Delcy Rodríguez. Antes de tudo, ela assumiu o poder de forma interina. Isso ocorreu após a captura de Nicolás Maduro. Nesse sentido, os Estados Unidos realizaram uma incursão militar em 3 de janeiro.

Ela governa sob pressão de Washington e de Donald Trump. Além disso, cedeu ao país o controle do petróleo. Anunciou poucos dias depois um processo de libertações. Dessa forma, concedeu liberdade condicional a mais de 400 presos políticos. Especialistas estimam que a anistia levará à saída de mais prisioneiros sem condições.

A secretaria da Assembleia Nacional informou o único ponto da ordem do dia. Dessa forma, será a discussão do projeto de Lei de Anistia para a Convivência Democrática. O debate coincide com o Dia da Juventude na Venezuela. Tradicionalmente, convocam manifestações nesse dia.

Assim, estudantes da Universidade Central da Venezuela, a maior do país e crítica do chavismo, convocaram uma concentração no campus, enquanto o partido do governo anunciou uma “grande marcha” em Caracas.

“Merecemos paz”

Os deputados votaram na semana passada a favor da lei no primeiro dos dois debates. O segundo estava previsto para terça-feira, contudo, a sessão foi suspensa em meio à consulta pública pela qual passam as leis. Participaram juristas, líderes da oposição e familiares de presos políticos.

O procurador-geral Tarek William Saab também atendeu ao chamado. Antes de tudo, foi junto a outros membros do Poder Judiciário. “Merecemos paz, que tudo seja debatido por meio do diálogo”, disse Saab em entrevista à AFP. Para ele, a anistia deve levar, consequentemente, a um gesto dos Estados Unidos. Por outro lado, isso libertaria o deposto Maduro e sua esposa, presos em Nova York.

Rodríguez ordenou também o fechamento da temida prisão do Helicoide. Por fim, a oposição e ativistas de direitos humanos a apontam como centro de tortura.

Seu irmão Jorge Rodríguez preside o Parlamento. Ele antecipou na semana passada que a aprovação da lei levará à libertação de todos os presos políticos. “Sendo aprovada a lei, no mesmo dia saem todos”, prometeu nos arredores de um dos centros de detenção da Polícia Nacional em Caracas. Esse local é conhecido como Zona 7.

“Medo, todos temos”

Em meio aos debates, o líder opositor Juan Pablo Guanipa saiu da prisão dentro do processo de libertações. Menos de 12 horas depois, foi novamente detido e enviado a Maracaibo (oeste) para cumprir prisão domiciliar.

Autoridades o acusaram de violar sua liberdade condicional. Isso ocorreu após pedir eleições durante uma visita a Helicoide. Além disso, ele participou de uma manifestação com familiares de presos políticos.

Guanipa é um aliado próximo da ganhadora do Nobel da Paz e líder opositora, María Corina Machado. Ela esteve na clandestinidade por mais de um ano. Em seguida, fugiu do país para viajar a Oslo e receber o prêmio.

“Medo, todos temos, mas precisamos continuar lutando para que possamos falar e possamos viver em paz”, declarou o filho de Guanipa a jornalistas na porta de sua casa em Maracaibo.

Fonte: jornaldebrasília