As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, o alerta é para a importância de reconhecer sintomas que podem indicar uma emergência e não adiar a busca por atendimento.
Dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações, suor frio, náusea, tontura e mal-estar súbito estão entre os sinais que podem indicar uma emergência cardiovascular. Quando aparecem de forma intensa, repentina ou diferente do habitual, esses sintomas exigem avaliação médica rápida.
As doenças cardiovasculares, portanto, estão entre as principais causas de morte no Brasil. Em Pernambuco, 3.532 pessoas morreram em decorrência dessas doenças nos primeiros cinco meses de 2025, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde. No país, o Cardiômetro, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), estima cerca de 294 mil mortes por doenças do coração e da circulação em 2026.
Entre as principais doenças cardiovasculares estão o infarto, provocado pela interrupção do fluxo de sangue para parte do coração; o acidente vascular cerebral (AVC), que ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma região do cérebro é interrompido ou quando há um sangramento; a insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente para atender às necessidades do organismo; e as arritmias, alterações no ritmo dos batimentos cardíacos.
7 sintomas que merecem atenção
- Dor ou pressão no peito
- Falta de ar
- Palpitações
- Suor frio
- Náusea
- Tontura
- Mal-estar súbito
“Na Cardiologia, a gente costuma dizer que ‘tempo é músculo’. Quanto mais tarde se chega ao diagnóstico e ao tratamento adequado de um paciente que está infartando, maior pode ser o dano ao coração e o risco de complicações”, explica o cardiologista Carlos Frederico, coordenador-geral da Cardiologia dos Hospitais Memorial Star e Memorial São José, da Rede D’Or.
Atendimento rápido
A procura rápida por atendimento foi a decisão tomada pelo gerente comercial Raony Lins, de 37 anos, após sentir dor no peito, aceleração dos batimentos e falta de ar depois de um treino de musculação seguido de corrida. Ele procurou o Hospital Memorial São José, no Centro do Recife.
“Cheguei com essa dor no peito, apertei o botão da recepção e, com menos de cinco minutos, eu já estava em cima de uma maca, sendo atendido pelo cardiologista e pela equipe de enfermagem”, conta.
Na unidade, Raony foi direcionado para o fluxo de avaliação de pacientes com dor torácica. Segundo a Rede D’Or, as emergências utilizam protocolos estruturados para priorizar os casos de maior gravidade. A metodologia Smart Track prevê atendimento imediato para casos graves, enquanto pacientes classificados como de baixa complexidade recebem o primeiro atendimento médico em até 20 minutos.
A suspeita inicial de infarto foi descartada após os exames. Raony recebeu o diagnóstico de disfunção microvascular, alteração que afeta a circulação das pequenas artérias do coração. Desde então, passou a fazer acompanhamento médico e ajustou hábitos da rotina, incluindo alimentação, atividade física, sono e controle do estresse.
“Quando algo foge do normal, principalmente quando os sintomas são diferentes ou intensos, não vale a pena esperar para ver se vai passar. Procure atendimento médico”, aconselha.
Cinco minutos até o eletrocardiograma
Também observa-se a importância da agilidade em um estudo do departamento de Cardiologia da Rede D’Or, apresentado no Congresso Internacional de Cardiologia Rede D’Or 2026. O levantamento analisou 4.921 pacientes com suspeita de infarto atendidos entre janeiro de 2025 e março de 2026, em 59 unidades da rede distribuídas por seis estados.
Nas unidades avaliadas, o intervalo médio entre a chegada do paciente com dor torácica e a realização do eletrocardiograma foi de cinco minutos. O tempo corresponde à metade do limite de até 10 minutos estabelecido pelas diretrizes da American Heart Association (AHA).
O eletrocardiograma é uma das ferramentas utilizadas na avaliação inicial de pacientes com suspeita de evento coronariano agudo e auxilia na investigação e na definição do tratamento.
“Ter fluxos bem definidos e uma estrutura preparada permite que a equipe consiga agir de forma coordenada diante de situações que exigem rapidez. O objetivo é reduzir atrasos, priorizar os casos de maior gravidade e oferecer o cuidado adequado para cada situação”, explica Carlos Frederico.
Fonte:jornalcomércio




