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Sete mulheres de MT estão entre as 100 Poderosas do Agro, segundo a Forbes. Levantamento reconhece lideranças que influenciam decisões Imagem: Reprodução

Forbes inclui sete mulheres de Mato Grosso entre as 100 mais poderosas do agro

Sete mulheres de MT estão entre as 100 Poderosas do Agro, segundo a Forbes

Sete mulheres com atuação em MT foram incluídas na segunda edição da lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, publicada pela Forbes Agro. O levantamento reconhece lideranças que influenciam decisões, movimentam negócios e contribuem para transformar o agronegócio brasileiro.

Entre as selecionadas estão Belisa Souza Maggi, presidente da Fundação Amaggi; Carmen Perez, pecuarista e referência em bem-estar animal; Geni Caline Schenkel, fundadora do Movimento Agroligadas; a engenheira agrônoma indígena Maria Cecília Zenezokemaero; a empresária rural Mônica Marchett; a pecuarista Natália Martins; e Neiriane Taerik, liderança indígena de Brasnorte.

Para escolher as integrantes, a Forbes avaliou três aspectos: poder de decisão sobre recursos e negócios, impacto na atividade produtiva e capacidade de influenciar e mobilizar outras pessoas.

Belisa Souza Maggi ocupa a presidência da Fundação Amaggi, braço social do grupo empresarial da família. Neta dos fundadores André e Lucia Maggi, ela também é acionista do conglomerado e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora. Criada em 1997, em Sapezal, a fundação desenvolve projetos sociais em municípios onde o grupo atua.

Na pecuária, Carmen Perez ganhou destaque pelo trabalho com manejo animal e gestão de equipes na Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana. Ela criou o curso Rebanho de Valor para compartilhar práticas que buscam melhorar o cuidado com os animais e os resultados das propriedades. Seu trabalho também chegou ao audiovisual, com o projeto “Quando Ouvi a Voz da Terra”, transformado em documentário e websérie.

Já Geni Caline Schenkel fundou o Movimento Agroligadas em 2018, em Campo Verde, com a proposta de aproximar o agronegócio da população urbana. A iniciativa começou com um grupo de mulheres e cresceu até reunir cerca de 3 mil participantes em 100 cidades de 24 estados. Segundo os dados apresentados pela Forbes, o movimento tem impacto estimado em mais de 2 milhões de pessoas.

Mulher indígena

A lista também reconhece a trajetória de Maria Cecília Zenezokemaero, integrante do povo indígena Haliti-Paresi e primeira mulher de sua aldeia a se formar em Engenharia Agronômica. Ela presta assistência técnica a lavouras de algodão e atua na divulgação dos conhecimentos e das práticas agrícolas de sua comunidade, em Campo Novo do Parecis.

O território Paresi reúne produção de soja, milho, feijão e gergelim. De acordo com o perfil publicado pela revista, a comunidade cultiva 17 mil hectares, equivalentes a cerca de 1% de suas terras, e distribui igualmente entre as famílias a renda obtida com a atividade agrícola.

Mônica Marchett, pecuarista e diretora de marketing da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), também aparece na seleção. À frente do Grupo Mônica, ela participou da expansão dos negócios familiares para a pecuária. Além disso, ela atuou na adoção da integração lavoura-pecuária-floresta.

Atualmente, o grupo mantém atividades em aproximadamente 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia. Do mesmo modo, a empresa trabalha com cerca de 25 mil bovinos, entre rebanho comercial e animais de genética Nelore de elite.

Por outro lado, a nova geração da pecuária mato-grossense é representada por Natália Martins, da Fazenda Camparino, em Cáceres. Como integrante da sexta geração de uma família de criadores, ela atua na gestão financeira e comercial da propriedade. Inclusive, o local também cria cavalos Quarto de Milha. Após a morte do avô, José Humberto Vilela Martins, em agosto de 2026, Natália passou a divulgar conhecimento nas redes sociais. Dessa forma, ela compartilha os ensinamentos deixados por ele por meio do projeto “Zezão Responde”.

Primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho

A sétima representante é Neiriane Taerik, de 26 anos. Ela é a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, na Terra Indígena Erikpatsa, em Brasnorte. Nesse sentido, sua atuação está ligada à organização de mulheres indígenas que trabalham com o beneficiamento da castanha-do-brasil.

Atualmente, o grupo reúne 16 mulheres e integra uma iniciativa de bioeconomia que envolve 12 aldeias. Entre 2024 e 2025, as participantes comercializaram 2,5 toneladas de castanha beneficiada. Por fim, o projeto Biodiverso, do qual a iniciativa faz parte, tem como meta ampliar a produção. Desse modo, o programa gera renda para as comunidades e contribui para a conservação de áreas florestais.

Como a Forbes escolheu as 100 mulheres

Na metodologia da lista, poder está relacionado à capacidade de tomar decisões sobre investimentos, pessoas, produção e estratégias. O impacto considera mudanças provocadas na atividade econômica, como a adoção de tecnologias, a abertura de mercados e a melhoria das cadeias produtivas.

Já a influência é avaliada pela capacidade de mobilizar e orientar outras pessoas, sem depender necessariamente de fama ou grande presença nas redes sociais.

Com perfis que vão da administração de empresas à pesquisa, à pecuária e à organização de comunidades indígenas, as sete representantes de Mato Grosso mostram a diversidade de trajetórias femininas ligadas ao agronegócio no estado.

Fonte: Forbes