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O marco mais recente do Brasil foi a realização dos primeiros embarques de uvas com tarifa zero para a União Europeia - Foto: Wikimedia Commnos

Brasil faz primeiros embarques de uvas com tarifa zero à União Europeia

A fruticultura brasileira vive um momento de forte expansão

No primeiro semestre de 2026, as exportações do setor cresceram 20%, superando 619 mil toneladas de frutas. 0 marco mais recente do Brasil foi a realização dos primeiros embarques de uvas com tarifa zero para a União Europeia, resultado do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

Waldyr Promícia, presidente da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), destacou a importância do feito e ressaltou o papel de parceiros institucionais no avanço do setor.

“Precisamos dizer claramente que um grande parceiro da Abrafrutas é a Apex, que nos ajuda muito na divulgação das frutas brasileiras lá fora, e o Ministério da Agricultura também na abertura de novos mercados”, afirmou. Segundo ele, a eliminação da tarifa representa um ganho que deve beneficiar diretamente o consumidor europeu, tornando as frutas brasileiras ainda mais competitivas.

Uva foi a primeira fruta com imposto zerado

A uva foi a primeira fruta brasileira a ter os impostos de importação zerados para o mercado europeu.

Waldyr Promícia explicou que, anteriormente, o Brasil competia em desvantagem com outros países que já não pagavam taxas de importação: “O que mais a gente espera, é que esse ganho de ´não taxação’ chegue ao consumidor final, que ele receba o desconto, para que as nossas frutas estejam cada vez mais competitivas e apreciadas pelo público europeu”, disse.

Brasil é terceiro produtor mundial, mas apenas 23º nas exportações

Apesar do potencial produtivo, o Brasil ainda exporta uma parcela pequena do que produz. “Somos o terceiro maior produtor de frutas do mundo e simplesmente o 23º nas exportações mundiais. Então, estamos muito aquém do que a gente podemos ser”, afirmou o presidente.

Ele destacou que todas as frutas exportadas atualmente têm grande potencial de crescimento. O país dispõe de áreas agriculturáveis suficientes para dobrar ou triplicar a produção sem necessidade de desmatamento.

Entre as frutas com maior potencial de expansão Promícia citou o limão. “O limão já tem uma plantação grande no Brasil e nós exportamos menos de 10% do que produzimos. Se passarmos para 20%, ainda temos o produto pronto para ser exportado. A árvore já está plantada, a oferta já existe, só falta a demanda”, explicou.

A abertura do mercado norte-americano, maior consumidor de limão Tahiti do mundo, foi citada como uma das principais metas do setor.

Barreiras sanitárias e logística ainda são obstáculos

Já a lentidão nas negociações comerciais internacionais foi apontada pelo presidente da Abrafrutas como um dos principais desafios.

“Toda tramitação de comércio internacional é muito lenta. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul demorou 25 anos para sair do papel”. Além das questões políticas e de proteção ao mercado interno dos países importadores, as barreiras sanitárias e as dificuldades logísticas para destinos como China e Índia também são tratadas com entraves.

O setor investe em pesquisas para aumentar a vida útil das frutas e viabilizar o acesso a mercados mais distantes.

Bioinsumos ganham espaço e Abrafrutas mobiliza entidades do agro

A Abrafrutas mobilizou 35 entidades do agronegócio em defesa de uma regulamentação equilibrada para o uso de bioinsumos.

Promícia explicou que a fruticultura é muito dependente de moléculas químicas, cada vez mais restringidas pela União Europeia.

“Os bioinsumos vieram para substituir isso. Nos últimos três anos, aumentou 70% o uso de bioinsumos na nossa fruticultura”, revelou. Segundo ele, os bioinsumos — fungos e bactérias desenvolvidos para combater pragas de forma natural — não deixam resíduos químicos elevados nas frutas, o que facilita o atendimento às exigências dos mercados internacionais.

E associação defende uma regulamentação séria e equilibrada, essencial para que o Brasil consolide a liderança no uso dessa tecnologia.

“O Brasil está na vanguarda do uso do bioinsumo no mundo. Se a gente regulamentar bem, outros países vão seguir nossos protocolos. Seremos protagonistas, e isso é muito importante para o Brasil e para a fruticultura”, concluiu. A Abrafrutas, por exemplo, encaminhou uma carta ao governo reforçando a importância do tema para todo o setor agrícola.

Fonte: cnn