Diretor da CIA se reuniu com autoridades cubanas
Uma delegação americana liderada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou (14) a Havana, onde se reuniu com autoridades cubanas, anunciou o governo comunista em um comunicado.
O presidente Donald Trump assinou no fim de janeiro um decreto presidencial que estabelece que Cuba, situada a 150 km da costa da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, com o objetivo de justificar o endurecimento das sanções contra Havana e, em particular, o bloqueio petrolífero contra a ilha.
Ele também ameaçou com represálias qualquer país que deseje fornecer ou vender petróleo a Havana.
“Após a solicitação apresentada pelo governo dos Estados Unidos para que fosse recebida em Havana uma delegação presidida pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, a Direção da Revolução aprovou a realização desta visita”, indicou o governo.
Procurada pela AFP para confirmar esse encontro de caráter excepcional, a CIA não respondeu imediatamente.
Complexidade das relações bilaterais
As autoridades cubanas especificaram que essa reunião, que ocorreu “em um contexto caracterizado pela complexidade das relações bilaterais”, deve permitir o “diálogo político entre ambas as nações”.
Havana afirmou que “os elementos apresentados pela parte cubana e as trocas mantidas com a delegação americana permitiram demonstrar categoricamente que Cuba não constitui uma ameaça para a segurança nacional dos EUA”.
Segundo o governo cubano, a reunião também permitiu demonstrar que não existem “razões legítimas” que justifiquem a permanência da ilha na lista negra americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”.
Cuba afirma igualmente ter conseguido demonstrar uma importante realidade soberana. Ou seja, não existem bases militares ou de inteligência estrangeira em seu território atual.
Nesse sentido, a declaração oficial da ilha rebate as acusações externas recentes. Bem como, serve em referência direta às declarações publicadas pelos Estados Unidos.
Washington aponta a suposta presença de bases de escuta chinesas na ilha. Dessa forma, o governo cubano nega formalmente tal situação. Logo, o posicionamento busca esclarecer o cenário geopolítico da região. Portanto, o país reitera a total autonomia sobre o seu próprio espaço geográfico.
Relações entre dois inimigos ideológicos
As relações entre os dois inimigos ideológicos atravessaram um novo pico de tensão nos últimos meses. Os Estados Unidos endureceram ainda mais as sanções contra a ilha. Ou seja, tal ação provocou uma crise energética e econômica sem precedentes no país.
Nesse sentido, a situação afeta diretamente 9,6 milhões de habitantes locais. Além disso, o embargo americano está em vigor desde o ano de 1962. Em outras palavras, Washington não esconde seu desejo de ver uma mudança de regime em Havana. Logo, impõe a Cuba um bloqueio petrolífero severo.
Portanto, essa medida específica ocorre desde o mês de janeiro. Dessa forma, as restrições intensificam as dificuldades enfrentadas pela população cubana no cenário atual. Desde então, autorizou apenas a chegada de um petroleiro russo.
Ainda assim, os dois países mantêm conversas. Uma reunião de alto nível diplomático ocorreu em Havana em 10 de abril. Foi a primeira vez que um avião governamental americano pousou na capital cubana desde 2016.
Fonte: Uol




