Estudo revela que células do cérebro mudam na meia-idade
Um estudo publicado na revista Science revelou que, na meia-idade (entre os 50 e 70 anos), as células de defesa do cérebro começam a ser substituídas por outras com características inflamatórias. Essa mudança coordenada pode ser a chave para entender o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Ou seja, nessa faixa etária, o cérebro humano passa por uma transformação profunda na forma como suas células imunes e seu genoma são organizados.
A equipe de pesquisadores utilizou métodos avançados de análise em célula única para mapear a regulação gênica. Desse modo, o estudo mapeou a conformação tridimensional do DNA em amostras do hipocampo de adultos de diferentes faixas etárias.
Além disso, os testes laboratoriais indicaram que a micróglia formada durante o estágio embrionário diminui de maneira acentuada. Por conseguinte, ela dá lugar a componentes com perfil molecular semelhante ao de defesas encontradas na corrente sanguínea. Por fim, esse resultado contraria o conceito tradicional de permanência dessas estruturas ao longo de toda a vida.
O que acontece com as barreiras protetoras e o DNA?
As populações celulares encarregadas de sustentar a barreira hematoencefálica sofrem redução substancial, deixando o tecido nervoso vulnerável à entrada de compostos prejudiciais em circulação.
A arquitetura espacial do genoma no núcleo celular também perde a organização habitual com o avanço dos anos, o que desregula os mecanismos responsáveis por ativar e desativar genes específicos.
De acordo com Bing Ren, pesquisador da Universidade de Columbia e do New York Genome Center, a falha funcional dessas células de manutenção provoca o acúmulo de materiais tóxicos que disparam respostas inflamatórias associadas a distúrbios neurodegenerativos.
Como o estudo se integra a pesquisas globais?
A investigação integra o programa Fundo Comum 4D Nucleome (4DN). Desse modo, o projeto é financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.
Além disso, a iniciativa reuniu equipes científicas entre 2015 e 2025 para analisar o comportamento temporal do genoma. Portanto, segundo Xiangmin Xu, diretor do Center for Neural Circuit Mapping na Universidade da Califórnia em Irvine, o processo de envelhecimento constitui uma reorganização conjunta.
Por consequência, essa reorganização abrange os circuitos neuronais, vasculares e imunológicos. O estudo fornece caminhos essenciais para a formulação de terapias voltadas à conservação cerebral.
Fonte: Terra




