Fazenda confirma adiar fim do subsídio à gasolina
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou adiar fim do subsídio à gasolina nesta quinta-feira (9). A decisão sobre a retirada da subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina ficará para a próxima semana. Segundo ele, a alta recente do petróleo, em meio a novos atritos entre Estados Unidos e Irã, levou o governo a adiar a definição.
“Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, disse Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.
Conforme antecipado pelo SBT News, o governo já avaliava rever o plano de retirar o subsídio à gasolina nesta semana, depois do acirramento do clima entre Washington e Teerã frustrar as expectativas de acordo de cessar-fogo.
Segundo o ministro, a intenção do governo continua sendo retirar a subvenção da gasolina, de forma parcial ou total, caso o cenário permita. A decisão dependerá da evolução dos preços do petróleo nos próximos dias.
“Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar os subsídios da gasolina, seja parcial, seja totalmente, como o próximo passo”, afirmou.
Durigan disse que o governo trabalha com um cenário de incerteza permanente no Oriente Médio. Segundo ele, mesmo com tentativas de cessar-fogo ou de negociação, a situação entre Israel, Irã e Estados Unidos continua instável e pode afetar os preços internacionais do petróleo.
Governo adotou estratégia de agir rapidamente
O ministro afirmou que o governo adotou, desde o início da guerra, a estratégia de agir rapidamente para evitar impacto sobre caminhoneiros, escoamento da safra e preços dos alimentos. Segundo ele, o Brasil usou parte da receita adicional obtida com a exportação de petróleo cru para amortecer o choque sobre os combustíveis.
“Nós não vamos demorar para adotar a providência, porque isso vai impactar greve de caminhoneiros, escoamento de safra no país, preço de alimento”, disse.
Durigan afirmou que o preço do barril de petróleo chegou a US$ 120 no momento de maior tensão e recuou para a faixa de US$ 70 a US$ 72 na semana passada. Na quarta-feira (8), porém, voltou a subir para perto de US$ 80. Com a nova pressão, o ministro afirmou, primeiramente, que a retirada dos subsídios precisa ser feita com cautela. Na semana passada, o governo eliminou, aliás, R$ 0,35 por litro da subvenção ao diesel.
Consequentemente, o benefício total caiu de R$ 1,47 para R$ 1,12 por litro. A Petrobras anunciou, no mesmo dia, uma redução de R$ 0,35 no preço do diesel vendido às distribuidoras. Ademais, a companhia suspendeu um desconto temporário no mesmo valor. Por isso, o preço médio do diesel A permaneceu, finalmente, em R$ 3,30 por litro. Durigan salientou, por outro lado, que o governo terá cuidado na avaliação da subvenção restante. Além do subsídio federal, o acordo com os estados para aliviar o ICMS do diesel já foi encerrado.
Participação do etanol na gasolina deve ocorrer nos próximos dias
“Tiramos um pedaço da subvenção do diesel, já tínhamos concluído a subvenção do ICMS com os governadores”, afirmou. O ministro também disse que a alta do petróleo não altera os planos do governo para ampliar a mistura de biocombustíveis. Segundo ele, o aumento da participação do etanol na gasolina, de 30% para 32%, deve ocorrer “nos próximos dias”. “O 32% vem aí, vai ser uma realidade nos próximos dias”, declarou.
A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que trataria o tema na quarta-feira (8) foi adiada. Durigan disse que a suspensão ocorreu por causa da mudança nos indicadores e nos preços do petróleo durante o encontro. Segundo ele, o adiamento não altera a decisão sobre a mistura de etanol.
Fonte: SBT



