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Na Cúpula do Mercosul, o governo brasileiro defendeu que o bloco sul-americano inicie negociações com a China para um acordo de comércio - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Governo defende acordo do Mercosul com China durante Cúpula

Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta

Na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul realizada nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai, o governo brasileiro por meio do presidente Luis Inácio Lula da Silva, defendeu que o bloco sul-americano inicie negociações com a China para um acordo de comércio com o gigante asiático.

“O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nesta cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados ainda mais dinâmicos do planeta”, disse.

De acordo com o presidente brasileiro aproveitou ainda a fala durante a cúpula do Mercosul para criticar o que chamou de “alinhamento automático” e “escolhas excludentes”.

A cúpula do Mercosul desta semana reuniu os chefes de Estado do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia. Sendo assim, marca o fim da presidência do Paraguai no bloco e o início da presidência do Uruguai pelos próximos seis meses.

Crescimento do comércio intrabloco

Antes da sua fala, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem aos mortos pelos terremotos na Venezuela. Em seguida, defendeu a importância econômica e política dos 35 anos do Mercosul em meio a um mundo cada vez mais protecionista, com mais guerras e aumento das ações unilaterais.

“A fragmentação da economia mundial impõe severos desafios ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável. Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, destacou o presidente brasileiro.

Lula lembrou que, entre 1991 e 2025, o comércio intrabloco cresceu de US$ 4,5 bilhões para US$ 50 bilhões, com as exportações crescendo 6% só em 2025, alcançando US$ 770 bilhões.

“O Mercosul permanece como o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada. O projeto de integração sul-americano deve estar acima de qualquer divergência ideológica. A melhor opção é fortalecer nossos mecanismos de diálogo e cooperação e ampliar nossa capacidade de atuação conjunta”, disse o presidente.

A única ausência na cúpula do Mercosul, entre os estados membros, foi do presidente da Argentina, Javier Milei. Ele cancelou de última hora a viagem à Assunção, em meio à renúncia do chefe de gabinete da Casa Rosada, Manuel Adorni. Alías, envolvido em escândalos de corrupção por suposto enriquecimento ilícito.

Fundo do Mercosul

Entre os debates da atual cúpula do Mercosul, está a criação do novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), em substituição ao atual, considerado insuficiente.

O Brasil anunciou que vai destinar US$ 100 milhões, por ano, ao novo Focem. O mecanismo criado em 2004, portanto, visa reduzir as desigualdades entre os países do bloco sul-americano.

O Brasil tem cobrado que a Argentina também aumente a contribuição para o Focem. Enquanto que o Paraguai tem defendido que o Fundo tenha aportes 50% superiores ao Fundo antigo.

Desde sua criação, o Fundo financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 km de ferrovias. Além disso, 750 km de linhas de transmissão de energia e 100 km de redes de saneamento básico.

Segurança pública

Na área de segurança, o Brasil apresentou proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. Assim, destacou a implementação, em Buenos Aires, na Argentina, de escritório regional da Interpol para o combate ao crime organizado.

“O Brasil vai custear a presença de delegados dos 12 países da região na capital argentina por um ano, para ampliar a coordenação no combate ao tráfico internacional de drogas e ao crime organizado”, destacou.

Além do início das negociações com o Japão e o avanço nas negociações comerciais com Canadá, Vietnã e Índia, o Mercosul avançou, nos últimos meses, para reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados associados.

O Mercosul

São Estados-membros do Mercosul a Argentina, a Bolívia (em processo de adesão), o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Venezuela (suspensa). Inclusive, são Estados associados o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Panamá, Peru e Suriname.

O Mercosul reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.

Fonte: agênciabrasil